O Método e Conteúdo Programático

"Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida". (Ver texto completo)

Plínio Marcos

 

Nosso projeto é de proporcionar ao aluno através de experiências coletivas - práticas e lúdicas - uma relação com a linguagem teatral. O que provém desta relação é a potencialização de talentos natos, e o reconhecimento e amadurecimento de talentos inatos. Os procedimentos e experimentos também dão asas à imaginação proporcionando o desenvolver da criatividade, característica importante tanto ao teatro quanto à vida em sua totalidade.

 

Temos como ferramenta, o jogo cênico, retirados principalmente dos livros de Augusto Boal e Viola Spolin.

Acreditamos que na relação com o outro podemos aprender mais sobre nós mesmos, deixando cair nossas máscaras impostas socialmente. É comum estarmos engessados e tomados por um sentimento de impotência frente a conceitos que nos moldam. É preciso separar o que querem de nós do que realmente somos, indo de encontro com nosso verdadeiro self.

 

Destacamos também as seguintes práticas do curso da RC2:

 

  • Incentivamos o surgimento de novos dramaturgos, dando ao aluno a possibilidade de atuar em seus próprios textos. 

  • Conciliamos as experiências de ser ator e ser expectador. Em aulas externas todos os alunos assistem a determinados espetáculos para posteriormente debater e avaliar o mesmo.

  • Nas aulas de história do teatro, o aluno terá um contato com linguagens do Teatro contemporâneo e de Vanguarda praticando ambos em jogos.

  • Visamos também um trabalho de investigação da estética do espetáculo teatral, realizando o levantamento dos aspectos históricos, dramatúrgicos, artísticos, cênicos e sociais de determinados períodos a partir da escolha de um gênero representativo da dramaturgia e da análise de um texto dramático e de sua encenação, em confronto com os fatores estudados.

  • O jogo cênico é uma das mais poderosas ferramentas tanto para a apreensão de conceitos, como para a criação de cenas. Os jogos fazem parte de todos os módulos de nosso curso.

 

PRIMEIRO PERÍODO

Período de Adaptação

 

São vários os objetivos que trazem o aluno para a nossa escola, neste período que chamamos de período de adaptação, além dos exercícios convencionais, é feito um trabalho que propicia a união do elenco visando a formação de um grupo sólido e engajado em um único objetivo: a criação coletiva.

Período também em que o aluno descobre suas potencialidades e limites.

 

CONTEÚDO APREENDIDO:

Noções de interpretação: Intenção, nuances, pausas psicológicas, respiração, memória emotiva, interpretação monocórdia, fé e verdade cênica, figuras de linguagem (metáfora, metonímia, catacrese, sinestesia, perífrase, antítese, paradoxo, eufemismo, ironia, hipérbole, prosopopéia, etc)

Noções de corpo: Presença de palco, base, enraizamento, postura, aquecimento, alongamento.

Noções de voz: Respiração diafragmal, aquecimento vocal, relaxamento, articulação.

Improvisação: Velocidade de pensamento, aceitação da proposta alheia, criação, sequência e repertório.

Aptidões do ator: Desinibição, concentração, ritmo, atenção, foco, percepção do meio, laboratório.

Atuação: Criação e experimentação de cenas.

 

APRESENTAÇÕES:

Apresentação 1: Prova de fogo - Todo grupo reproduz uma coreografia de clássicos do cinema.

Apresentação 2: Cena livre - O aluno pode danças, cantar, tocar um instrumento, encenar, declamar, etc. (solo, dupla ou grupo)

 

SEGUNDO PERÍODO

Período de Aprimoração

 

Palco: Neste estágio os jogos e exercícios teatrais promoverão o aprimoramento das aptidões artísticas do aluno, também a exploração e ampliação de seus limites. 

 

CONTEÚDO APREENDIDO:

Todas as matérias do primeiro período são utilizadas no segundo.

Técnicas de Palco: Movimentação cênica, posicionamento, planos.

Construção da Personagem: Laboratório, 

História do Teatro: Teatro grego, romano, medieval, teatro do invisível, teatro contemporâneo, etc.),

Expressão Corporal: Símbolo, partituras corporais, exaustão.

Expressão Vocal: Técnicas de canto, vocalize, projeção, ressonância.

Dramaturgia

 

APRESENTAÇÕES:

Apresentação 1: Prova de fogo - Todo grupo reproduz uma coreografia de clássicos do cinema.

Apresentação 2: Cena livre - O aluno pode danças, cantar, tocar um instrumento, encenar, declamar, etc. (solo, dupla ou grupo)

 

TERCEIRO PERÍODO

Período de Pesquisa

 

Neste semestre, denominado pesquisa, todos os trabalhos na área de corpo, voz e interpretação são aprofundados. Também é trabalhado novas modalidades, como a máscara e circo.

CONTEÚDO APREENDIDO:

Todo o conteúdo já aprendido será trabalhado de forma mais elaborada.

Pesquisa: Introdução do conteúdo teórico, com leituras de diversos autores.

Leitura Branca: Leitura de textos sem interpretações prévias.

Leitura Interpretativa: Leitura de textos de teatro, visando interpretá-las coletivamente.

Pré-Montagem: Criação coletiva de cenas dos textos lidos, marcação cênica, desenho de cena.

Máscaras:

Circo: Trabalhos corporais embasados em técnicas circenses.

Introdução à Produção Teatral: Cenário, figurino, maquiagem, apetrechos cênicos.

 

APRESENTAÇÕES:

Apresentação 1: Leitura interpretativa. (Estudo e apresentação em forma de leitura interpretativa de textos de autores como: Nelson Rodrigues, Antonin Artaud, Eugène Yonesco, Mastins Pena, entre outros)

Apresentação 2: Prova de fogo - Todo grupo apresenta uma cena criada após a pesquisa de estilos apresentadas durante as aulas de história do teatro. (Ex: Comédia Del'art, Pantomima, etc)

Apresentação 3: Cena de conclusão de período. (monólogo, dupla ou grupo)

 

 

QUARTO PERÍODO

 

Período de Montagem

 

Neste semestre o grupo inicia a montagem de um espetáculo e este será apresentado na formatura em uma breve temporada em algum teatro da cidade.

 

CONTEÚDO APREENDIDO:

Prática: Visão prática de todos os conteúdos aprendidos nos módulos anteriores.

Montagem: Criação coletiva, marcação cênica, desenho de cena.

Práticas de Produção: Cenário, figurino, maquiagem, apetrechos cênicos.

 

APRESENTAÇÕES:

Apresentação 1 - Trailer do espetáculo final que deve ser apresentado durante o viradão cultural

Apresentação 2 - Espetáculo de conclusão de curso.

 

 

 

TEÓRICOS UTILIZADOS

 

Constantin Stanislavsky(1863-1938) Ator e diretor russo, está no centro da principal revolução que se operou no teatro no século 20. 

Com ele, a criatividade do ator não é mais um truque de técnicas; a criação do papel torna-se um ato natural, que implica o fato de o indivíduo utilizar seu próprio material humano, eliminando máscaras, clichês e estereótipos.

É o conceito fundamental de Stanislavsky, o de MEMÓRIA DE EMOÇÕES. Segundo o seu sistema, o ator deve construir psicologicamente seu personagem, de forma minuciosa. Mesmo que a peça forneça poucos dados, deve-se buscar, com exercícios da imaginação, o passado e o futuro do personagem.

Eugen Bertolt Friedrich Brecht(1898-1956) O dramaturgo alemão tentou romper abertamente com o método Stanislavski em 1929, quando escreveu que o objetivo da nova arte deveria ser pedagógico, tanto no conteúdo quanto na forma. Segundo ele, o ator e o espectador deveriam se distanciar um do outro e cada um de si próprio. 
Com Brecht surge a
teoria do distanciamento – o espectador deve tirar da peça uma lição permanente e não se identificar sentimentalmente com ela, enquanto o ator deve ser capaz de sair de sua personagem e comentar sua interpretação.

 
 

Jersy Grotowsky - (1933-1999) Polonês que na década de 60, modificou a maneira de pensar a atuação cênica. Disse que o teatro deveria recuperar sua “POBREZA”, despindo-se do desnecessário. Segundo ele, os figurinos, os cenários, a música, os efeitos de luz e até mesmo o texto dramático são acessórios dispensáveis. Mas não o ator.
Sua meta era criar o “
ATOR SANTO”, que se revela por inteiro, sendo capaz de expressar através do som e do movimento, os impulsos que estão no limite do sonho e da realidade.

Augusto Pinto Boal (1931-2009) Foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política, mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.

 

O método te dá o caminho para compreender os textos, mas a verdadeira arma do ator é a intuição” 

Pedro Paulo Rangel.

Viola Spolin(1906-1994) Figura seguramente entre os maiores professores de teatro, não só nos Estados Unidos. Onde quer que seu método e seus ensinamentos tenham chegado, não importando o país ou a língua, eles fizeram escola. 'Improvisação para o teatro', sua famosa coleção de jogos, exercícios de atuação e comentários, continua tão atual hoje quanto na época de sua aparição inicial, assim como sua crescente difusão na rede escolar brasileira vem comprovando. Para melhor instrumentá-la na prática de sua aplicação, Viola Spolin fez uma seleção especial de jogos teatrais, dispostos em fichas separadas em uma caixa, servindo ao trabalho em sala de aula. Por meio de 'Jogos Teatrais', professores e alunos podem viver a experiência teatral, com grande benefício para seu ensino e aprendizado.